Brasil Not 24/03/2012
DESAFIOS.
Donos do próprio nariz
Especialistas alertam: ter perfil empreendedor e ser arrojado não significa correr riscos
FOTO: LEO FONTES
Fellipe Vianna , 23, descobriu no hobby a vocação para ser empreendedor
Thiago Cunha entrou como sócio de uma empresa já consolidada. Bárbara Magri criou a sua própria para não ficar desempregada. Ambos são lados parecidos de um mesmo fenômeno: novíssimos empreendedores que, na ânsia de entrarem no mercado de trabalho, preferem ser seus próprios chefes. “O jovem vê o próprio negócio como uma possibilidade de au-torrealização, independência financeira e a capacidade de aliar o prazer ao trabalho”, explica João Bonono, professor de empreendedorismo do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec).
Cada vez mais jovens ampliam sua participação dentro do universo empreendedor. Uma das explicações seria o desânimo de assistir outras gerações batalharem por emprego e leis trabalhistas. Outro motivo, segundo a Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), é que os novos empreendedores são geralmente motivados por causa das oportunidades que aparecem. Sendo assim, unindo o útil ao agradável, os jovens topam encarar desafios. Mas nem sempre ter espírito empreendedor é sinônimo de arriscar.
Segundo o professor da Escola Técnica de Formação Gerencial do Sebrae-MG, José Flávio Pereira, o jovem acaba ficando muito audacioso ao abrir seu próprio negócio. “Ele é muito afoito e toma decisões imediatas que poderiam ser mais planejadas”, explica. Se nesse caso todo cuidado é pouco, não basta ser proativo e ter novas ideias, é preciso saber sobre o conhecimento básico de mercado e se manter atento à situação econômica do país.
Formalizando
Muitas dúvidas atormentaram a jornalista e fotógrafa Luiza Vilarroel, 24, que resolveu criar recentemente um registro de empreendedor individual com a ajuda do Sebrae. Além da dificuldade em saber o caminho para o registro de CNPJ, outras dúvidas como cálculo de custos, preços de vendas e relação de impostos são comuns quando jovens procuram da instituição, segundo o professor.
Procurar pelo Sebrae foi o caminho que Luiza escolheu para acompanhar seu crescimento profissional enquanto se organiza para a abertura da sua empresa no final do ano. Já Thiago Cunha e Bárbara Magri optaram por contar com as experiências e dicas de amigos e também de outros empresários da família para gerir seus próprios negócios. “Peguei dicas com o meu primo que é advogado e abriu uma imobiliária recentemente. Além disso, conversei muito com a minha família e ouvi a opinião de todos”, conta Thiago Cunha, sócio da Velvet Club.
No ano passado, Luiz Marcatto, 22, fez registro de microempreendedor com sua empresa de cadernos artesanais, a Libretto, criada desde outubro de 2010. Mas, antes disso, procurou saber com pessoas que já tinham passado a mesma situação sobre as vantagens e desvantagens de abrir um negócio. Hoje, mesmo dividindo a empresa com duas faculdades, medicina e design gráfico, pretende continuar investindo na sua microempresa. “O que eu mais quero é que a Libretto seja um sucesso e uma grande empresa um dia. E ter algo seu, em que você investiu seu suor e tempo, é sempre mais gratificante”, conta.
DICAS INICIAIS
Para abrir seu próprio negócio, é preciso avaliar seu perfil como empreendedor. Depois, identifique as oportunidades que irão surgir, conheça os aspectos legais e formalize a empresa. Durante todo processo, é importante saber como gerir e aprimorar cada vez mais seu negócio para alcançar o sucesso
No site
Pela internet, o Sebrae - MG oferece um passo-a-passo com essas e outras dicas mais detalhadas para a orientação em relação aos processos que devem ser seguidos para abrir e manter a empresa no mercado
Habilidade para o sucesso
Fellipe Vianna, 23, descobriu sua vocação para ser empreendedor ainda quando estudava em 2003. Nessa época, ele tinha como hobby fotografar festas do colégio e divulgá-las na internet em um site próprio. O que era feito somente por diversão acabou se tornando uma empreitada ao fundar a Sou Ibope BH, seu próprio site de fotos que também se tornou uma empresa de serviços de foto e vídeo para festas, principalmente as de 15 anos.
Apesar de seu negócio ter nove anos de existência no mercado, Fellipe se encaixa no perfil de jovem empreendedor, segundo a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBPQ). Com 23 anos, o empresário conquistou a confiança da clientela e hoje contrata fotógrafos freelancer para cobrir as cerca de 20 festas que fecha por mês.
E o espírito empreendedor que começou no colégio ainda promete persistir por muito mais tempo. “Quero continuar cuidando da supervisão da empresa, mas quero me desligar das tarefas mais simples e empreender em outras áreas além de eventos”, conta.
NA Bagagem
No mesmo barco está Henrique Chaves, 25. Quando estava no início do curso de engenharia civil, sonhava em abrir uma empresa de entretenimento enquanto organizava as festas da faculdade. Após voltar de um intercâmbio em 2006, abriu com mais dois amigos, também companheiros da viagem, a Sleep Walkers Entretenimento.
Ele explica que, ao dar os primeiros passos, pesquisou cases de sucesso e procurou aprimorar em várias funções para coordenar todos os setores da empresa de perto. E como diz o ditado “é melhor prevenir do que remediar”, Henrique planeja anualmente todos os eventos e se prepara para qualquer eventualidade. “Esse ramo de entretenimento está sujeito a muita informalidade e amadorismo. Por isso, desde o início, procurei ser profissional”, conta o empresário, que formalizou a empresa desde a sua criação e hoje produz, entre outros eventos, o Planeta Brasil, o maior festival sustentável de Minas.

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