Brasil Not 24/03/2012
SINTOMAS.
Superação das dificuldades
Demora de especialistas para dar o diagnóstico atrasou o rendimento escolar
FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Apoio. Renata entre Rodrigo e Rafael: parceria entre pais, escola e profissionais foi fundamental para melhora dos garotos
"A dor de ver um filho com dificuldade de aprendizagem e crescimento intelectual sem um diagnóstico é o pior que os pais de crianças podem enfrentar". Assim, Renata Braga, 34, expressa seu sentimento diante da demora no diagnóstico dos filhos gêmeos, Rodrigo e Rafael, 9.
Quando a mãe viu os filhos passarem por dificuldades no período de alfabetização escolar, sabia que havia algo errado, mas estava longe de ter certeza da fonte do problema. Somente há um ano os meninos foram diagnosticados: Rafael tem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e Rodrigo, dislexia.
As crianças nasceram prematuras, e, inicialmente, a mãe acreditou que essa fosse a razão da dificuldade na escola. "Os prematuros podem ter algum atraso no desenvolvimento e eu achei que essa fosse a razão de os meus filhos não compreenderem o que era solicitado a eles na escola", explica.
Começava aí a maratona aos diversos especialistas em busca de uma resposta. "Foram muitos caminhos, muito desânimo, muito desespero. Eu, por fim, estava acreditando que meus filhos eram incapazes e desobedientes. Eles também começaram a ser estigmatizados e chegaram a ser chamados de ‘burros’. Foi muito sofrimento", lamenta.
Hoje, os garotos recebem acompanhamento escolar, além de tratamento com fonoaudiólogo e psicopedagogo. A mudança e o apoio multidisciplinar contribuíram para que eles conseguissem passar para o 3º ano do ensino fundamental com aproveitamento acima de 80%.
"Para qualquer mãe é razão de orgulho. Para mim, que abandonei a profissão e passei a ser mãe em tempo integral para que meus filhos pudessem contar comigo nessa fase, é uma vitória. Tenho orgulho de ver que são capazes e que só precisavam aprender a lidar com a dificuldade. São meus pequenos guerreiros".
NúmerosSegundo dados da Associação Brasileira de Dislexia, de cada dez disléxicos diagnosticados no Brasil nos últimos anos, sete eram adultos. A falta de um diagnóstico e, consequentemente, de uma orientação adequada faz com que as sequelas da disfunção se estendam até a vida adulta, com todos os traumas e constrangimentos que a incompreensão acarreta.
A dislexia afeta cerca de 5% a 17% de todas as crianças e uma em cada duas crianças que tenham histórico familiar da doença vai ter dificuldades de leitura, soletração e de decodifica-ção de palavras.
Quanto ao TDAH, há um grande número de crianças com a doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde. Segundo dados da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), cerca de 3% a 5% das crianças brasileiras sofrem de TDAH, das quais de 60% a 85% permanecem com o transtorno na adolescência.
Quando a mãe viu os filhos passarem por dificuldades no período de alfabetização escolar, sabia que havia algo errado, mas estava longe de ter certeza da fonte do problema. Somente há um ano os meninos foram diagnosticados: Rafael tem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e Rodrigo, dislexia.
As crianças nasceram prematuras, e, inicialmente, a mãe acreditou que essa fosse a razão da dificuldade na escola. "Os prematuros podem ter algum atraso no desenvolvimento e eu achei que essa fosse a razão de os meus filhos não compreenderem o que era solicitado a eles na escola", explica.
Começava aí a maratona aos diversos especialistas em busca de uma resposta. "Foram muitos caminhos, muito desânimo, muito desespero. Eu, por fim, estava acreditando que meus filhos eram incapazes e desobedientes. Eles também começaram a ser estigmatizados e chegaram a ser chamados de ‘burros’. Foi muito sofrimento", lamenta.
Hoje, os garotos recebem acompanhamento escolar, além de tratamento com fonoaudiólogo e psicopedagogo. A mudança e o apoio multidisciplinar contribuíram para que eles conseguissem passar para o 3º ano do ensino fundamental com aproveitamento acima de 80%.
"Para qualquer mãe é razão de orgulho. Para mim, que abandonei a profissão e passei a ser mãe em tempo integral para que meus filhos pudessem contar comigo nessa fase, é uma vitória. Tenho orgulho de ver que são capazes e que só precisavam aprender a lidar com a dificuldade. São meus pequenos guerreiros".
NúmerosSegundo dados da Associação Brasileira de Dislexia, de cada dez disléxicos diagnosticados no Brasil nos últimos anos, sete eram adultos. A falta de um diagnóstico e, consequentemente, de uma orientação adequada faz com que as sequelas da disfunção se estendam até a vida adulta, com todos os traumas e constrangimentos que a incompreensão acarreta.
A dislexia afeta cerca de 5% a 17% de todas as crianças e uma em cada duas crianças que tenham histórico familiar da doença vai ter dificuldades de leitura, soletração e de decodifica-ção de palavras.
Quanto ao TDAH, há um grande número de crianças com a doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde. Segundo dados da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), cerca de 3% a 5% das crianças brasileiras sofrem de TDAH, das quais de 60% a 85% permanecem com o transtorno na adolescência.
Ressonância pode identificar a dislexia
Em vez de esperar para uma criança sofrer com dificuldades na escola e ser rotulada como má aluna e perder a confiança em si mesma, cientistas divulgaram recentemente a possibilidade de diagnosticar a doença precocemente.
A dislexia é tipicamente identificada quando a criança tem entre 7 ou 8 anos, mas uma equipe do Hospital Infantil de Boston está desenvolvendo estudos sobre a possibilidade de ver os sinais da doença em imagens de ressonância magnética cerebrais em crianças com 4 e 5 anos.
O estudo baseia-se em um entendimento da dislexia como um problema de reconhecimento e manipulação dos sons individuais que formam a linguagem, que é conhecido como processamento fonológico.
Para ler, as crianças devem mapear os sons do idioma nas letras que compõem as palavras. Crianças com dislexia lutam com esse processo de mapeamento.
No estudo, foram escaneados os cérebros de 36 crianças pré-escolares, enquanto elas fizeram uma série de tarefas. Os pesquisadores descobriram que as crianças que tinham um histórico familiar de dislexia tiveram menor atividade cerebral em certas regiões do cérebro do que as crianças da mesma faixa de idade, inteligência e status socioeconômico.
Crianças mais velhas e adultos com dislexia têm disfunção nessas áreas do cérebro, que incluem as junções entre os lobos occipital e temporal e os lobos temporal e parietal na parte de trás do cérebro.
Segundo a equipe, o estudo é pequeno para formar a base de teste para a dislexia, mas o grupo conseguiu uma bolsa do Instituto Nacional de Saúde para fazer ampliar o estudo.
Tecnologia ajuda no tratamento Recursos tecnológicos podem contribuir na superação de distúrbios no desenvolvimento da aprendizagem. Veja alguns exemplos:
iPhone e iPad
A Associação Britânica de Dislexia criou uma página na internet (www.bdatech.org) para compartilhar aplicativos compatíveis com esses aparelhos. Entre eles está o Dragon Dictation, que permite visualizar instantaneamente o texto ou mensagens de e-mail por escrito.
Inglês
O jogo Raining Words (www.wordgames.com) ajuda a treinar a grafia das palavras em inglês, permitindo que o jogador visualize a palavra a construir e, de forma lúdica, escreva a sugestão.
Audição
O site Read Regular (www.readregular.com) oferece um formato de letra especial para os disléxicos, criando formas possíveis de serem reconhecidas.
Sentidos
O Penfriend (www.penfriend.biz) possibilita a previsão de palavras com soletração, audição e associação com o que está na tela.
A dislexia é tipicamente identificada quando a criança tem entre 7 ou 8 anos, mas uma equipe do Hospital Infantil de Boston está desenvolvendo estudos sobre a possibilidade de ver os sinais da doença em imagens de ressonância magnética cerebrais em crianças com 4 e 5 anos.
O estudo baseia-se em um entendimento da dislexia como um problema de reconhecimento e manipulação dos sons individuais que formam a linguagem, que é conhecido como processamento fonológico.
Para ler, as crianças devem mapear os sons do idioma nas letras que compõem as palavras. Crianças com dislexia lutam com esse processo de mapeamento.
No estudo, foram escaneados os cérebros de 36 crianças pré-escolares, enquanto elas fizeram uma série de tarefas. Os pesquisadores descobriram que as crianças que tinham um histórico familiar de dislexia tiveram menor atividade cerebral em certas regiões do cérebro do que as crianças da mesma faixa de idade, inteligência e status socioeconômico.
Crianças mais velhas e adultos com dislexia têm disfunção nessas áreas do cérebro, que incluem as junções entre os lobos occipital e temporal e os lobos temporal e parietal na parte de trás do cérebro.
Segundo a equipe, o estudo é pequeno para formar a base de teste para a dislexia, mas o grupo conseguiu uma bolsa do Instituto Nacional de Saúde para fazer ampliar o estudo.
Tecnologia ajuda no tratamento Recursos tecnológicos podem contribuir na superação de distúrbios no desenvolvimento da aprendizagem. Veja alguns exemplos:
iPhone e iPad
A Associação Britânica de Dislexia criou uma página na internet (www.bdatech.org) para compartilhar aplicativos compatíveis com esses aparelhos. Entre eles está o Dragon Dictation, que permite visualizar instantaneamente o texto ou mensagens de e-mail por escrito.
Inglês
O jogo Raining Words (www.wordgames.com) ajuda a treinar a grafia das palavras em inglês, permitindo que o jogador visualize a palavra a construir e, de forma lúdica, escreva a sugestão.
Audição
O site Read Regular (www.readregular.com) oferece um formato de letra especial para os disléxicos, criando formas possíveis de serem reconhecidas.
Sentidos
O Penfriend (www.penfriend.biz) possibilita a previsão de palavras com soletração, audição e associação com o que está na tela.

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