MARINHEIROS DE PRIMEIRA VIAGEM.
Os novos rostos do sucesso
Empreendedores na faixa dos 18 aos 24 anos crescem no país
Brasil Not 24/03/2012
FOTO: LEO FONTES
Thiago Cunha, 19, trocou as economias que garantiriam seu futuro pela oportunidade de se tornar sócio de uma casa noturna
Em 2011, Thiago Cunha era apenas um estudante do terceiro ano do Ensino Médio, que pensava em prestar vestibular para publicidade e trabalhava como promoter de festas. Mas uma reviravolta aconteceu quando viu surgir uma oportunidade única em sua vida profissional e, bom empreendedor que é, apesar da pouca idade, não deixou o bonde passar batido. Hoje, aos 19 anos, é sócio da casa noturna mais badalada da cidade, a Velvet Club. E coordena uma série de outros promoters das festas que ele mesmo cria.
Ele é um exemplo de uma nova geração de jovens empreendedores que tem crescido no país desde 2008. Segundo a Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2010, realizada pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBPQ) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 17,4% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos estão envolvidos em algum empreendimento. A participação nesse universo é maior do que a dos empreendedores com 35 anos ou mais, o que vai ao encontro com a característica do jovem de assumir riscos sem medo de dar errado. “Essa geração sabe que não precisa ficar preso o resto da vida somente em um tipo de negócio, pode mudar de opção a qualquer momento”, explica o professor de empreendedorismo do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) João Bonono.
“Foi uma oportunidade que surgiu e eu resolvi aproveitar de corpo e alma”, afirma Thiago. Ele comprou parte da casa noturna com o adiantamento do dinheiro que a avó materna guardava para o futuro do neto. Apesar da inversão de papéis, Thiago afirma que continua o mesmo jovem de antes. “Estou num ponto da vida em que conquistei algo grande, mesmo sendo tão jovem. Se a vida me colocou isso agora, porque não aproveitar? Se não der certo, posso ter o dinheiro investido de volta e parto pra outra”, afirma.
Diferentemente de Thiago, que investiu em um negócio que já tem quase quatro anos de existência no mercado, a maioria dos jovens parte do zero e topa encarar empreitadas diferentes, já que sua idade reduzida os favorece: errar e recomeçar não é um problema para eles.
Faltando pouco menos de três meses para concluir o curso de jornalismo, Bárbara Magri, 21, optou por fazer o caminho inverso que a maioria dos seus colegas universitários, após concluir a faculdade: arrumar um bom emprego numa empresa. “Sempre quis formar e ter uma coisa própria e não ser empregado de ninguém. É muito ruim pensar que empregada eu posso ser transferida ou demitida a qualquer momento”, conta a estudante e fotógrafa de 21 anos que divide com mais dois amigos de faculdade, Fábio e Rodrigo, o estúdio de fotografia e vídeo Chágelado.
*Especial para o Pampulha
Desafios dos primeiros passos
Lorena Martins
Apesar da possibilidade de realização com a criação do próprio negócio, esses jovens ousados enfrentam dificuldades ao assumir a responsabilidade. Bárbara Magri, 21, relata que sua empresa, o estúdio Chágelado, começou a dar lucro apenas em janeiro deste ano. Todo o dinheiro arrecadado com o trabalho de um ano da empresa teve que ser investido no registro e na reforma da sala alugada no bairro Funcionários, que hoje virou um estúdio completo.
Mesmo vivenciando a instabilidade do mercado e arcando com as despesas de imposto, luz, aluguel, condomínio e equipamentos, os três fotógrafos estão seguros de si e não se arrependem. “Qualificar trabalho por tempo de mercado já era. Somos jovens, mas os clientes reconhecem a qualidade do que produzimos”, afirma.
]Negócios à parte
Além disso, o fato de lidar com pessoas já conhecidas, que geralmente eram amigos ou colegas do mesmo convívio antes de virarem sócios, é uma situação que requer muito cuidado. Muitas empresas são encerradas antes do tempo após entrar em desacordo na sociedade. “Temos que entender, acima de tudo, que somos amigos, mas que também somos sócios”, conta a fotógrafa, que defende a teoria da divisão do trabalho e da vida social

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