Diminuir a taxa de abandono do tratamento contra a tuberculose é o principal desafio do país no combate à doença, segundo informa o Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde. De acordo com dados do ministério, nove em cada 100 pacientes que iniciam o tratamento não o levam até o fim. O máximo tolerável, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é quase a metade disso: cinco em cada 100. Em Uberaba, segundo o infectologista do Centro de Saúde Eurico Vilela, Vitor Guilherme Maluf, a tendência da taxa de abandono é semelhante à nacional, mas pode melhorar.
Embora a taxa de incidência da
tuberculose venha caindo no país nas últimas décadas – atualmente é de 37,7
casos para cada 100 mil habitantes –, ainda morrem por ano cerca de 4.800
brasileiros vítimas da doença e na maior parte das vezes porque o paciente não
concluiu o tratamento. No município, foram notificados em torno de 24 casos em
2012 e 40 pessoas estão em tratamento. De acordo com Patrícia Borges, referência
técnica em tuberculose, a taxa preliminar de abandono do tratamento é de 11%.
“São pacientes usuários de drogas, principalmente bebida alcoólica, que largam
de usar o remédio para continuar consumindo essas outras substâncias. E o que
dizemos em primeiro lugar é que tuberculose tem cura; em segundo, que a cura vem
quando a pessoa adere ao tratamento, ou seja, tomando o remédio diariamente
durante os seis meses que é preconizado”, destaca Vitor Maluf.
O infectologista alerta que o abandono do
tratamento é negativo para quem está com a doença e para quem convive com o
portador de tuberculose. “A pessoa pode morrer de tuberculose e, se ela usa o
remédio inadequadamente, pode desenvolver uma bactéria resistente. Sendo assim,
além de o paciente comprometer a própria saúde, pode
Especialista orienta a procurar médico aos primeiros
sintomas da doença
Neste sábado, dia 24, é celebrado o Dia
Mundial de Controle à Tuberculose, doença que tem cura, mas ainda é considerada
um “bicho de sete cabeças” pela população, que tem demorado a procurar
atendimento médico quando nota os primeiros sintomas. Por ser transmitida pelas
vias respiratórias através de gotículas de saliva da tosse, a principal forma de
prevenir a tuberculose é imunizando todas as crianças com a vacina BCG.
A prevenção inclui ainda evitar
aglomerações, especialmente em ambientes fechados, e não utilizar objetos de
pessoas cujo diagnóstico for positivo para a doença.
Segundo a referência técnica do Programa
de Controle de Tuberculose, Patrícia Borges, quando há suspeita, o ideal é
procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Os primeiros sintomas da doença
são tosse seca e febre, geralmente à tarde, persistentes por mais de três
semanas, depois com catarro, fraqueza e emagrecimento. “Muitas vezes as pessoas
ficam resistentes em procurar o médico por medo de descobrir a doença. Quanto
mais tempo demorarem em procurar diagnóstico, mais difícil será o tratamento”,
esclarece. E não é necessário ir à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA). Qualquer
posto de saúde do bairro tem condições de atender o paciente e encaminhá-lo para
realizar os exames e para o Programa.
O tratamento dura, em média, seis meses.
Em alguns casos, este pode ser mais longo, mas as pessoas recebem medicação e
acompanhamento médico gratuitos. Caso o tratamento seja feito corretamente, de
acordo com as orientações do médico, há cura, finalizando-se ainda o processo de
contaminação. (TM)
Nenhum comentário:
Postar um comentário