Brasil Not
Publicação: 24/03/2012 06:00Atualização: 24/03/2012 07:21
Mesmo crescendo de forma acanhada, em torno de 3% ao ano, o Brasil precisará de mais poupança externa para fechar as suas contas. Segundo o Banco Central, diante do apetite dos brasileiros por produtos importados, da dificuldade da indústria de competir lá fora, do incremento das viagens internacionais e da forte remessas de lucros pelas multinacionais, o rombo nas transações correntes com o exterior teve de ser revisto para cima. Ou seja, em vez de US$ 65 bilhões, o buraco fechará este ano em US$ 68 bilhões.
A revisão comprova, na avaliação de especialistas, a dependência de capital estrangeiro do país para fechar as contas. Para os economistas, não há dúvidas de que esse quadro também limita o poder de fogo do governo na guerra cambial, já que partir para medidas mais radicais interromperia o fluxo de capital que financia o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas) brasileiro e poderia tornar o rombo nas contas externas um problema.
Pelos dados do Banco Central, o buraco nas contas externas em 2012 será maior que o previsto porque a balança comercial se mostrou fraca neste início de ano – a previsão inicial era de que ela registraria um superávit de US$ 23 bilhões, agora, esse número caiu para US$ 21 bilhões. Alguns economistas são ainda mais pessimistas e projetam US$ 17 bilhões. O déficit da conta de serviços, que calcula os gastos dos brasileiros com viagens internacionais, aluguel de máquinas e equipamentos lá fora e outras rubricas, também foi revisada, aumentou de US$ 244 bilhões para US$ 247 bilhões. Com essas mudanças, a previsão do rombo nas contas internacionais passou de 2,45% do PIB para 2,57%.
Para o diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/ EESP), Yoshiaki Nakano, se o déficit em conta corrente continuar aumentando, o governo vai ficar cada vez mais sem margem de manobra para controlar o câmbio, sobretudo sem utilizar métodos mais agressivos, como o câmbio fixo. “O espaço ficará menor. Hoje, no entanto, ele tem as reservas, que ajudam bastante”, comentou.
Investimentos Uma das preocupações dos economistas está na forma como o déficit será financiado a partir deste ano. Pelas projeções do BC, diferentemente de 2011, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) não ingressará no país em volume suficiente para cobrir o rombo nas contas externas. Enquanto o buraco se aproxima dos US$ 70 bilhões, o IED deve ficar em US$ 50 bilhões.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, descarta as preocupações em relação ao déficit nas transações correntes e defende que o governo tem margem de manobra para conter o derretimento do dólar frente o real. “O déficit vem crescendo, mas está em patamar bastante inferior ao de outros períodos”, observou Maciel. No cálculo dele, um rombo equivalente a 5% do PIB seria uma taxa alarmante. “Essa previsão de 2,57% do PIB é totalmente normal. Países emergentes têm essa característica de necessidade de poupança externa”, ponderou.
A farra continua
Brasília – Com o dólar ainda baixo e o aumento da renda, os brasileiros continuam fazendo a farra no exterior. Nos dois primeiros meses do ano, as despesas fora do país somaram US$ 3,7 bilhões, um novo recorde histórico no período, segundo informou ontem o Banco Central. Em janeiro e fevereiro do ano passado, quando os turistas brasileiros despejaram U$ 3,11 bilhões em outros países, houve aumento de 20%. A série histórica do BC tem início em 1947.
Apesar de terem batido recorde no primeiro bimestre, os gastos registraram queda de 12,5% em fevereiro deste ano, quando somaram US$ 1,74 bilhão. Em janeiro, as despesas lá foram haviam somado R$ 1,99 bilhão – o maior valor em seis meses. Tradicionalmente, os gastos no exterior sobem em períodos de férias escolares. Segundo dados do BC, os gastos no exterior em fevereiro deste ano representam recorde para o mês. Em fevereiro de 2011, por exemplo, as despesas no exterior somaram US$ 1,33 bilhão.
De acordo com Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC, o carnaval influenciou os números de fevereiro. “Neste ano, o carnaval caiu em fevereiro. No ano passado, foi em março. Então, isso contribuiu para que, na comparação interanual, você tenha um fluxo maior em fevereiro deste ano do que no mesmo mês de 2011. Para março de 2012, a tendência é de reverter. A parcial indica que não teremos crescimento frente a março do ano passado”, declarou Maciel. No acumulado de março, até o dia 21, as despesas no exterior somaram US$ 1,14 bilhão. Em março de 2011, totalizaram US$ 1,64 bilhão.
Os dados do BC mostram que também subiram, no primeiro bimestre deste ano, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil, que chegou a US$ 1,27 bilhão. O valor é 9% maior que o registrado no mesmo período de 2011 (US$ 1,172 bilhão). Em fevereiro, quando as despesas de estrangeiros somaram US$ 617 milhões, houve um aumento de 7,8% em relação ao mesmo mês do ano passado (US$ 572 milhões).
A revisão comprova, na avaliação de especialistas, a dependência de capital estrangeiro do país para fechar as contas. Para os economistas, não há dúvidas de que esse quadro também limita o poder de fogo do governo na guerra cambial, já que partir para medidas mais radicais interromperia o fluxo de capital que financia o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas) brasileiro e poderia tornar o rombo nas contas externas um problema.
Pelos dados do Banco Central, o buraco nas contas externas em 2012 será maior que o previsto porque a balança comercial se mostrou fraca neste início de ano – a previsão inicial era de que ela registraria um superávit de US$ 23 bilhões, agora, esse número caiu para US$ 21 bilhões. Alguns economistas são ainda mais pessimistas e projetam US$ 17 bilhões. O déficit da conta de serviços, que calcula os gastos dos brasileiros com viagens internacionais, aluguel de máquinas e equipamentos lá fora e outras rubricas, também foi revisada, aumentou de US$ 244 bilhões para US$ 247 bilhões. Com essas mudanças, a previsão do rombo nas contas internacionais passou de 2,45% do PIB para 2,57%.
Para o diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/ EESP), Yoshiaki Nakano, se o déficit em conta corrente continuar aumentando, o governo vai ficar cada vez mais sem margem de manobra para controlar o câmbio, sobretudo sem utilizar métodos mais agressivos, como o câmbio fixo. “O espaço ficará menor. Hoje, no entanto, ele tem as reservas, que ajudam bastante”, comentou.
Investimentos Uma das preocupações dos economistas está na forma como o déficit será financiado a partir deste ano. Pelas projeções do BC, diferentemente de 2011, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) não ingressará no país em volume suficiente para cobrir o rombo nas contas externas. Enquanto o buraco se aproxima dos US$ 70 bilhões, o IED deve ficar em US$ 50 bilhões.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, descarta as preocupações em relação ao déficit nas transações correntes e defende que o governo tem margem de manobra para conter o derretimento do dólar frente o real. “O déficit vem crescendo, mas está em patamar bastante inferior ao de outros períodos”, observou Maciel. No cálculo dele, um rombo equivalente a 5% do PIB seria uma taxa alarmante. “Essa previsão de 2,57% do PIB é totalmente normal. Países emergentes têm essa característica de necessidade de poupança externa”, ponderou.
A farra continua
Brasília – Com o dólar ainda baixo e o aumento da renda, os brasileiros continuam fazendo a farra no exterior. Nos dois primeiros meses do ano, as despesas fora do país somaram US$ 3,7 bilhões, um novo recorde histórico no período, segundo informou ontem o Banco Central. Em janeiro e fevereiro do ano passado, quando os turistas brasileiros despejaram U$ 3,11 bilhões em outros países, houve aumento de 20%. A série histórica do BC tem início em 1947.
Apesar de terem batido recorde no primeiro bimestre, os gastos registraram queda de 12,5% em fevereiro deste ano, quando somaram US$ 1,74 bilhão. Em janeiro, as despesas lá foram haviam somado R$ 1,99 bilhão – o maior valor em seis meses. Tradicionalmente, os gastos no exterior sobem em períodos de férias escolares. Segundo dados do BC, os gastos no exterior em fevereiro deste ano representam recorde para o mês. Em fevereiro de 2011, por exemplo, as despesas no exterior somaram US$ 1,33 bilhão.
De acordo com Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC, o carnaval influenciou os números de fevereiro. “Neste ano, o carnaval caiu em fevereiro. No ano passado, foi em março. Então, isso contribuiu para que, na comparação interanual, você tenha um fluxo maior em fevereiro deste ano do que no mesmo mês de 2011. Para março de 2012, a tendência é de reverter. A parcial indica que não teremos crescimento frente a março do ano passado”, declarou Maciel. No acumulado de março, até o dia 21, as despesas no exterior somaram US$ 1,14 bilhão. Em março de 2011, totalizaram US$ 1,64 bilhão.
Os dados do BC mostram que também subiram, no primeiro bimestre deste ano, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil, que chegou a US$ 1,27 bilhão. O valor é 9% maior que o registrado no mesmo período de 2011 (US$ 1,172 bilhão). Em fevereiro, quando as despesas de estrangeiros somaram US$ 617 milhões, houve um aumento de 7,8% em relação ao mesmo mês do ano passado (US$ 572 milhões).
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