segunda-feira, 19 de março de 2012




Antes de mais nada, cabe lembrar que o financiamento e o funding concedido pelo BNDES à construção da Usina San Francisco se deu no governo FHC, e não na administração de Lula.
Entretanto, o governo atual, e futuros governos brasileiros, devem aprender uma lição. O Brasil não é salvador da pátria da América do Sul, e não é o Brasil que vai diminuir a agrura dos primos pobres do continente, especificamente Equador e Bolívia. O Brasil ainda é um país emergente, e não de primeiro mundo, que pode se dar ao luxo de levar calotes milionários.
Pois são justamente estes dois países que têm reagido de uma maneira um tanto abusada em relação aos direitos de propriedade brasileiros. Primeiro, a questão de ativos ernergéticos na Bolívia, e agora a questão do BNDES no Equador.
Cabe lembrar que o BNDES existe para financiar obras no Brasil, para o desenvolvimento do Brasil, e não de outros países, que sejam vizinhos. Se não houvesse carência de desenvolvimento no Brasil, até dava para entender dar uma ajudazinha para os vizinhos mais pobres - mas o fato é que há muita carência deste tipo de financiamento na Terra Brasilis.
E o Equador agora age como se o grande beneficiário da usina San Francisco seja uma empresa brasileira. Ou brasileiros. Ora, a Usina está no Equador, e beneficia pessoas físicas e jurídicas de lá - longe de beneficiar o povo brasileiro. Sim, a construtora ganhou com o lucro da sua construção. Mas usinas se constroem com muito concreto, aço, turbinas e milhões de horas de trabalho técnico e operário, que custam milhões de dólares. Sugerir que a grana toda beneficiou brasileiros chega a ser o ridículo dos ridículos.
Se a usina foi construída com defeito, não seria a primeira, nem a última obra do mundo que requer ajustes após a conclusão. Gostaria de saber quantas empresas equatorianas têm a capacidade técnica de construir hidreléticas, que seja com múltiplos defeitos. Acho que não existe nenhuma.
Na realidade, os extremistas Morales e Correa têm tratado o Brasil como um nefasto imperialista, e os calotes dados em empresas brasileiras e confisco de ativos não passa de óbvio reflexo deste pensamento. Teríamos, segundo a ótica deles, a obrigação de pagar as suas contas.
Parabéns ao governo por adotar uma linha diplomática mais dura com Correa. Espero que continue assim, mas que também a lição seja aprendida, e o BNDES não mais financie obras fora do Brasil. Seja onde for.
Hermanos, si, pero negocios a parte.

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