Brasil Not
Publicação: 25/03/2012 07:17Atualização:
Circula na internet em nome da Mon Ville Alimentação S.A., empresa paulista, um texto que faz a louvação da água oxigenada. O único problema é que a pessoa, do tanto tempo que deve passar às voltas com o peróxido de hidrogênio H2O2 em suas diversas concentrações, acaba privado das alegrias da vida. Se ingerida ou inalada, di-lo a Wikipédia, água oxigenada pode matar.
Na louvação internética, são muitos minutos com os pés mergulhados numa solução de água oxigenada, banho de banheira idem, escova de dentes mergulhada na mesma solução, bochecho de minutos (cuspindo sem engolir) que resolve todos os problemas bucais, utensílios alimpados em solução idem – verdadeiros milagres que não são divulgados porque contrariam os interesses das indústrias farmacêuticas e dos produtos de limpeza doméstica. Aqui em casa usam – não o dono, mas as operadoras domésticas – incontáveis produtos comprados no supermercado para limpar vidros, livros, assoalhos, tetos, janelas, portas, tapetes, móveis, louças, paredes, alumínios, plásticos – cada coisa tem um produto diferente. O deus do lar ainda recorre aos sabonetes, enquanto não inventarem um produto limpador de philosophos.
Nos cabelos, a água oxigenada transformou dona Paula em loura supimpa, a mesmíssima jovem senhora que me prestou serviços da maior relevância na roça durante vários períodos de férias natalinas. Tenho horror, mas sou obrigado a tirar férias.
No leite, o único inconveniente da água oxigenada (a 130 volumes, uma xicrinha de café em 50 litros de leite) é desestimular a higiene. Durante dezenas de anos, no verão, só havia leite em Roma graças ao peróxido de hidrogênio a 130 volumes. A constatação não é minha, que nunca estive em Roma: é de um veterinário da FAO.
Problemática
Álcool e direção, sono e casas noturnas são alguns dos problemas que afligem o belo-horizontino. O primeiro tem solução: proibir os carros, considerando que a proibição do álcool foi aquilo que se viu nos Estados Unidos. Os automóveis continuariam sendo fabricados e vendidos, muitos deles em prestações mensais de meio salário mínimo, como vemos nos anúncios. Comprados, seriam impedidos de circular. Seus proprietários encheriam as respectivas caras nos botequins, voltando para casa de ônibus ou de táxi, dotados, os táxis e os ônibus, daquele dispositivo que impede a ligação do motor se o motorista beber. Sim, porque noite dessas, como lhes contei, uma leitora de Juiz de Fora, que deixou seu carro em casa porque iria beber numa festa, tomou um táxi depois da festa e descobriu que o motorista estava muito mais bêbado do que ela.
Insolúvel, mesmo, me parece o problema dos moradores do Bairro de Lourdes, que inaugura 10 casas noturnas por mês. Moro em Lourdes, mas num trecho não muito achacado de bares e restaurantes. Os problemas daqui se resumem aos gritos de Galo! Galo!, quando o Atlético vence, e Galo! Galo! quando o Atlético perde e os cruzeirenses gozam. Felizmente, não há jogos todos os dias e a gritaria – é justo que se diga – geralmente acaba antes das 24 horas.
Como resolver o problema do sono dos moradores no restante do bairro? Não sei. Há dispositivos que, aplicados nas paredes dos quartos de dormir, isolam o ambiente. Não custam caro, mas são feios. É assim nos estúdios das rádios. Geralmente, dependem de ar-refrigerado e o clima de 2012 tem sido incompatível com a refrigeração dos quartos. Aqui no jornal, havia trechos da redação e das salas dos diretores que matavam o philosopho de frio.
Dir-se-á que não tenho quefazeres nas salas dos chefes, é verdade, mas “a algum, isso é que é, a gente tem de vassalar”, já dizia Guimarães Rosa, natural de Cordisburgo, filho de Florduardo Pinto Rosa. Com um pai com esse nome, tinha mesmo que ser genial.
O mundo é uma bola
25 de Março é o maior shopping a céu aberto de São Paulo. Por via de consequência, deve ser dos maiores da América Latina e atrapalha, no Google, a localização da Wikipédia com os fatos que realmente interessam. Por exemplo: no ano de 717, o imperador Teodósio III, de Bizâncio, abdica o trono para tomar votos monásticos. Tenho pensado na vida monjal, que também pode ser mongil, monacal e monastical. Se alguém souber de mosteiro para ateus, me avise, por favor.
Em 1590, fundação do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. Construção belíssima, hoje cercada de cidade e ruas barulhentas, é mosteiro que não me serve porque pressupõe o ingresso de cavalheiros cultos e religiosos, características que me faltam.
Em 1811, Shelley foi expulso da Universidade de Oxford pela publicação da plaquete A necessidade do ateísmo. Escusado é dizer que Percy Bysshe Shelley foi um dos maiores poetas românticos ingleses, casou-se duas vezes, teve filhos e morreu com 29 aninhos no Golfo de Spezia, Mar Lígure, o tal Ligurian Sea da enciclopédia Encarta Premium.
Hoje é o Dia Nacional da Comunidade Árabe.
Na louvação internética, são muitos minutos com os pés mergulhados numa solução de água oxigenada, banho de banheira idem, escova de dentes mergulhada na mesma solução, bochecho de minutos (cuspindo sem engolir) que resolve todos os problemas bucais, utensílios alimpados em solução idem – verdadeiros milagres que não são divulgados porque contrariam os interesses das indústrias farmacêuticas e dos produtos de limpeza doméstica. Aqui em casa usam – não o dono, mas as operadoras domésticas – incontáveis produtos comprados no supermercado para limpar vidros, livros, assoalhos, tetos, janelas, portas, tapetes, móveis, louças, paredes, alumínios, plásticos – cada coisa tem um produto diferente. O deus do lar ainda recorre aos sabonetes, enquanto não inventarem um produto limpador de philosophos.
Nos cabelos, a água oxigenada transformou dona Paula em loura supimpa, a mesmíssima jovem senhora que me prestou serviços da maior relevância na roça durante vários períodos de férias natalinas. Tenho horror, mas sou obrigado a tirar férias.
No leite, o único inconveniente da água oxigenada (a 130 volumes, uma xicrinha de café em 50 litros de leite) é desestimular a higiene. Durante dezenas de anos, no verão, só havia leite em Roma graças ao peróxido de hidrogênio a 130 volumes. A constatação não é minha, que nunca estive em Roma: é de um veterinário da FAO.
Problemática
Álcool e direção, sono e casas noturnas são alguns dos problemas que afligem o belo-horizontino. O primeiro tem solução: proibir os carros, considerando que a proibição do álcool foi aquilo que se viu nos Estados Unidos. Os automóveis continuariam sendo fabricados e vendidos, muitos deles em prestações mensais de meio salário mínimo, como vemos nos anúncios. Comprados, seriam impedidos de circular. Seus proprietários encheriam as respectivas caras nos botequins, voltando para casa de ônibus ou de táxi, dotados, os táxis e os ônibus, daquele dispositivo que impede a ligação do motor se o motorista beber. Sim, porque noite dessas, como lhes contei, uma leitora de Juiz de Fora, que deixou seu carro em casa porque iria beber numa festa, tomou um táxi depois da festa e descobriu que o motorista estava muito mais bêbado do que ela.
Insolúvel, mesmo, me parece o problema dos moradores do Bairro de Lourdes, que inaugura 10 casas noturnas por mês. Moro em Lourdes, mas num trecho não muito achacado de bares e restaurantes. Os problemas daqui se resumem aos gritos de Galo! Galo!, quando o Atlético vence, e Galo! Galo! quando o Atlético perde e os cruzeirenses gozam. Felizmente, não há jogos todos os dias e a gritaria – é justo que se diga – geralmente acaba antes das 24 horas.
Como resolver o problema do sono dos moradores no restante do bairro? Não sei. Há dispositivos que, aplicados nas paredes dos quartos de dormir, isolam o ambiente. Não custam caro, mas são feios. É assim nos estúdios das rádios. Geralmente, dependem de ar-refrigerado e o clima de 2012 tem sido incompatível com a refrigeração dos quartos. Aqui no jornal, havia trechos da redação e das salas dos diretores que matavam o philosopho de frio.
Dir-se-á que não tenho quefazeres nas salas dos chefes, é verdade, mas “a algum, isso é que é, a gente tem de vassalar”, já dizia Guimarães Rosa, natural de Cordisburgo, filho de Florduardo Pinto Rosa. Com um pai com esse nome, tinha mesmo que ser genial.
O mundo é uma bola
25 de Março é o maior shopping a céu aberto de São Paulo. Por via de consequência, deve ser dos maiores da América Latina e atrapalha, no Google, a localização da Wikipédia com os fatos que realmente interessam. Por exemplo: no ano de 717, o imperador Teodósio III, de Bizâncio, abdica o trono para tomar votos monásticos. Tenho pensado na vida monjal, que também pode ser mongil, monacal e monastical. Se alguém souber de mosteiro para ateus, me avise, por favor.
Em 1590, fundação do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. Construção belíssima, hoje cercada de cidade e ruas barulhentas, é mosteiro que não me serve porque pressupõe o ingresso de cavalheiros cultos e religiosos, características que me faltam.
Em 1811, Shelley foi expulso da Universidade de Oxford pela publicação da plaquete A necessidade do ateísmo. Escusado é dizer que Percy Bysshe Shelley foi um dos maiores poetas românticos ingleses, casou-se duas vezes, teve filhos e morreu com 29 aninhos no Golfo de Spezia, Mar Lígure, o tal Ligurian Sea da enciclopédia Encarta Premium.
Hoje é o Dia Nacional da Comunidade Árabe.
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