terça-feira, 20 de março de 2012

Notas de real sobre cenário nacional
Justificando sua posição, o Brasil argumenta que está tentando criar defesas contra a excessiva valorização do real e contra a relutância da China em permitir maior valorização do iuane
Montevidéu - Os países latino-americanos mais comprometidos com o livre comércio estão disparando o alarme com os sinais de protecionismo às suas portas. A Argentina e, mais recentemente, o Brasil, adotaram medidas para diminuir as importações e fortalecer sua indústria, em face da valorização das moedas locais e dos elevados custos tributários e trabalhistas.
"Os maiores países da América Latina têm de entender que precisam de todos nós, porque neste mundo eles sozinhos não são nada", disse o presidente do Uruguai, José Mujica, durante uma reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na segunda-feira.
Patrícia Espinosa, chanceler do México -país com o qual o Brasil travou uma recente disputa sobre quotas de importação de veículos-, disse que a região deve responder à desaceleração econômica global fortalecendo seus vínculos comerciais, ao invés de restringi-los.
Conversas nos corredores da reunião do BID focavam no excesso de dinheiro com origem nos bancos centrais das economias ricas, e em como ele está fluindo na direção dos lucrativos mercados latino-americanos. Isso está puxando para cima o valor das moedas locais, prejudicando a competitividade e deixando alguns países tentados a adotarem medidas para diminuir as importações.
Pesquisas mostram, no entanto, que derrubar barreiras comerciais estimula o crescimento no longo prazo -algo de que a região precisa desesperadamente. O BID e o FMI projetam uma expansão de 3,6 ou 3,7 por cento na economia latino-americana para este ano, bem aquém dos 6,1 por cento registrados em 2010.
"O protecionismo pode ser uma boa forma de evitar o trabalho sujo no curto prazo, mas, para a nossa região (...), é simplesmente o pior inimigo que temos", disse Nicolas Eyzaguirre, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI.
O BID estima que o comércio exterior represente 39 por cento do PIB da região, bem abaixo dos 70 por cento alcançados nos países em desenvolvimento do Leste da Ásia e Pacífico. Cifras da Organização Mundial do Comércio indicam que as exportações das Américas do Sul e Central compuseram apenas 4 por cento de todo o comércio internacional em 2010.
Brasil
O Brasil tem enfrentado uma forte apreciação do real, que atingiu máxima de 12 anos no ano passado. Uma série de medidas adotadas pelo país para proteger a indústria local pode afetar as importações dos vizinhos latino-americanos, que triplicaram desde 2005 para 36,7 bilhões de dólares.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior examina um pedido dos fabricantes de vinhos por proteção contra a concorrência estrangeira, especialmente na ponta inferior do espectro de preços, com o Chile correndo o risco de ser o país mais afetado.

Brasil Not 20/03/2012 12:05

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