terça-feira, 27 de março de 2012

Brasil Not

Publicada em 27-03-2012
"Ele criou a consciência do social no Sistema Fiemg." (Cesar Rodrigues, saudoso presidente do Senai, falando do amigo Fábio Motta).

Retomo aqui o relato de histórias ligadas à trajetória de vida refulgente do saudoso dirigente classista empresarial Fábio de Araújo Motta, cujo centenário transcorre este mês.

Em certa ocasião, Fábio confiou-me informações que guardava carinhosamente, pedindo-me escrevesse alguma coisa sobre Chico Motta, seu pai. Tomou forma aí um livro delgado intitulado "Um homem chamado Chico Motta". Ele quis com tal registro exprimir seu terno apreço filial e gratidão a uma figura intrépida, com relevante atuação política em Diamantina, onde exerceu o cargo de prefeito, cidadão responsável por decisiva influência em sua formação.

As histórias ligadas a Fábio, à sua rica lenda pessoal, que conservo bem nítidas na memória, são numerosas. Delas poderia me ocupar por tempo bastante extenso. As realizações de cunho social e educacional que promoveu à frente do Sesi e do Senai, colocando à mostra acurada sensibilidade social e sólida formação humanística, juntamente com a projeção que assegurou à Fiemg nas esferas política e classista, conferem-lhe com todo mérito lugar de realce na galeria dos personagens que deixaram pegadas visíveis na caminhada do desenvolvimento econômico e social mineiro. Fábio de Araújo Motta destacou-se, também, no exercício da magistratura trabalhista, integrante que foi do TRT da 3ª Região, com passagens pelo TST, e dirigente da CNI, onde ocupou em várias gestões a vice-presidência, chegando a exercer, mais de uma vez, a presidência.

Seu poder de liderança era incontestável. Conferiu-lhe a prerrogativa de se tornar o dirigente com o mais dilargado tempo de permanência na história da Fiemg. Para isso contribuíram sobremaneira as posições desassombradas assumidas na defesa dos interesses da categoria industrial. Sua palavra e atitudes foram sempre bem assimiladas pelos seus pares.

Acode-me à lembrança, neste preciso momento, um episódio nunca antes, pelo menos por mim, trazido a público, que serve para revelar a dimensão do prestígio por ele desfrutado junto aos companheiros industriais. Durante greve ocorrida no setor de assistência médica do Sesi, um cidadão que se identificou como representante de industriais nucleados na Cidade Industrial de Contagem contatou Fábio ao telefone, para sugerir-lhe que se desvinculasse do cargo de presidente da Fiemg, como "única solução viável" para a "crise". Adicionou a informação de que a "sugestão" apresentada nascera de decisão consensual de um grupo expressivo de empresários. Citou o nome do empresário Hélio Pentagna Guimarães, dirigente da Magnesita, entre muitos outros. Fábio, do outro lado da linha, pediu-lhe que confirmasse os nomes dos que estavam a "recomendar", de forma tão enfática, por meio do solícito porta-voz, sua saída. O autor do telefonema, sem rebuços e constrangimentos, "confirmou". Fábio, então, disse-lhe: - "Espere um instante. Todos esses que você acaba de citar encontram-se aqui, neste momento, ao meu lado, num papo muito cordial. Seria bom você repetir pra eles o que acaba de dizer." Hélio Pentagna Guimarães, que era vice da Fiemg, tomou do telefone e, em termos vigorosos, em nome dos demais, aplicou no interlocutor de Fábio Motta uma senhora descompostura. Disse-lhe poucas e boas, reduzindo a subnitrato de pó-de-mico, como era de costume dizer-se em tempos de outrora, a tentativa ridícula de desestabilização de Fábio, configurada na despropositada chamada telefônica.

O reduzido grupo envolvido na malsucedida manobra permaneceu, depois dessa, mudo e quedo que nem penedo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário