Endividamento dos consumidores cai, mas indica queda no ritmo de compras
Os estímulos que o governo não para de injetar no mercado como forma de recobrar o consumo das famílias só surtirão efeito a partir do segundo semestre. É o que estima a Confederação Nacional do Comércio (CNC) diante dos dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor divulgados nessa quarta-feira. Frente a março do ano passado, o percentual de pessoas que declararam possuir dívidas atuais - não necessariamente em atraso - caiu de 64,8% para 57,8%. O índice está diretamente atrelado à disposição das pessoas para as compras, e consequentemente a incorporação de novas contas ao orçamento. Quanto menor o avanço, maior a contenção dos gastos. Frente a fevereiro, o avanço foi considerado baixo, saindo de 57,4%.
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| Para Deborah Athayde a redução de juros é boa para troca de carro |
O fato de boa parte da renda já estar comprometida, especialmente com a aquisição de produtos de alto valor agregado, reforça a cautela dos consumidores. A pesquisa da CNC revela que, entre os endividados, 25,5% têm mais de 50% dos rendimentos destinados ao pagamento de dívidas e outros 50,6% direcionam entre 11% e 50% do salário para quitar débitos. Menos de um quinto das pessoas deve menos que 10% dos proventos. "Existe um acúmulo de dívidas do passado, feitas com produtos duráveis, como automóveis e eletroeletrônicos, cujo prazo de pagamento é dilatado", avalia a gerente de economia da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio), Silvânia Araújo, que também espera uma mudança com a retomada da disposição para a contratação de crédito no segundo semestre.
Na contramão, o índice de consumidores que declaram não ter qualquer dívida passou de 34,6% em março de 2011 para os atuais 40,9%. A dentista Deborah Athayde reforça as estatísticas. Ela planeja trocar o carro e reconhece que a retração dos juros pode ser um bom estímulo, apesar de ainda dar preferência para as compras à vista. "Podemos avaliar diante de juros mais baixos", afirma a consumidora, que se considera extremamente controlada. Mesmo perfil da aeroviária Neuza Chaves, que garante não sofrer influências das políticas do governo para ir às compras. "O negócio é ter o dinheiro na mão."
Problema maior na baixa renda
| Neuza Chaves já prefere ficar sem dívidas, "com o dinheiro na mão" |
O tempo médio de atraso das contas está em 59,4 dias, ligeiramente superior aos 58,6 dias observados em março de 2011. Ainda que o volume de maus pagadores tenha aumentado, a capacidade de pagamento seguiu o mesmo percurso. Enquanto em 2011, 8,4% dos entrevistados declararam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso, o percentual agora é de 6,7% das pessoas. O resultado é o menor para toda a série histórica, iniciada em janeiro de 2010. (PT)

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