sábado, 24 de março de 2012

Brasil Not 24/03/2012
SUCESSO .
Ano do palhaço
Filme "O Palhaço", de Selton Mello, já passou de 1 milhão de espectadores
 
 
 
 
 
FOTO: ANDRE FOSSATI /DIVULGAÇÃO
Para ver também: "Os Palhaços", filme de 1970 do italiano Federico Fellini, uma das influências declaradas de Selton Mellon para a criação de seu bem-sucedido segundo longa-metragem
ANDRE FOSSATI /DIVULGAÇÃO
Para ver também: "Os Palhaços", filme de 1970 do italiano Federico Fellini, uma das influências declaradas de Selton Mellon para a criação de seu bem-sucedido segundo longa-metragem
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Carla Mesquita/divulgação
E o palhaço, o que é? Deixou de ser ladrão de mulher, pelo menos este ano, para se tornar um campeão de bilheteria e uma figura recorrente fora dos picadeiros. Na esteira do filme "O Palhaço", que já atraiu mais de 1 milhão de espectadores aos cinemas, 2011 viu uma profusão de palhaços na TV e destaque para o personagem em eventos.
O longa dirigido e estrelado por Selton Mellon liderou as bilheterias brasileiras em seu fim de semana de estreia, no final de outubro, e precisou apenas de 15 dias em cartaz para atingir a marca de um milhão de espectadores, tendo sido o sexto filme brasileiro a atingir a marca este ano. "O palhaço é uma figura importante na vida. Ele representa o mundo que todos nós gostamos, é o mundo do lúdico, da felicidade. Quando a gente ouve falar ‘o palhaço’, o título não é outra coisa a não ser o palhaço. Já nos remete ao mundo que a gente gostaria de estar", diz Rodrigo Robleño, o palhaço Viralata, buscando explicar o sucesso de público do filme, que também foi bem acolhido pela crítica.
EternoFora da sétima arte, o palhaço também deu as caras numa tela menor. Na novela "Araguaia", exibida na faixa das 18h pela Rede Globo até abril deste ano, entre os personagens estavam os palhaços Pimpinela, vivido pelo ator Nando Cunha, e Estripulia, interpretado pelo alagoano Teófanes Silveira, que na vida real também faz rir na pele de Biribinha, considerado patrimônio vivo de seu Estado. No SBT, foi a vez de a dupla Patati Patatá, no ar desde maio, virar fenômeno em meio ao público infantil depois do vácuo deixado pela geração de apresentadoras loiras. "A linguagem do palhaço é muito popular, muito próxima da gente e traz essa questão nostálgica do circo", sugere a coordenadora do Festival Mundial de Circo, Fernanda Vidigal. Este ano, o evento, que tem sede em BH, dedicou uma parcela da programação exclusivamente ao astro do picadeiro. "No Brasil, nós temos bons palhaços. Não tem como um festival que quer espelhar a produção brasileira não ter espaço só pra isso, já que é o que mais se produz no país", justifica, argumentando também que existe hoje uma valorização do personagem. A atriz do Grupo Galpão Teuda Bara, que está no elenco de "O Palhaço", reforça a opinião a partir da experiência que teve nos quatro anos em que integrou o Cirque du Soleil. "Lá, o palhaço é o que tem maior cachê. Fazer rir não é tão fácil, o cara tem que saber conversar com o público, tem que segurar", diz Teuda, que considera a figura do palhaço "eterna".
Eterna e também onipresente, visto que transita entre o circo, os meios audiovisuais e a arte de rua. "O palhaço está em vários lugares porque é um personagem que provoca o espanto, ele é diferente. Ele está no hospital, na televisão, em evento empresarial, no asilo, na creche", afirma Paulo Sérgio Pires, o palhaço Popó, que também já ocupou seu espaço na TV quando esteve à frente do programa TVX, da TV Horizonte, sucedendo Viralata na atração.
Para Diogo Dias, integrante da Cia Circunstância e do Coletivo de Palhaços, que reúne artistas do gênero em Minas, o personagem também pode estar em cada um de nós. "O palhaço pode estar sentado numa mesa de bar, numa roda de família. Onde tem mais de uma pessoa querendo brincar com a vida cotidiana é possível que tenha palhaço porque sempre buscamos a felicidade e temos que provocá-la de alguma forma. O palhaço não tem lugar certo. Ele está no lugar errado, é meio inconveniente".

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