Muito mais que uma dificuldade
Brasil Not
24/03/2012
FOTO: SXC.HU
Mundial. Transtornos associados à aprendizagem atingem de 3% a 5% da população
As férias acabaram e voltar à normalidade não é tarefa das mais fáceis. A expectativa pela retomada das atividades escolares toma conta do dia-a-dia de pais e filhos. Mas para a empresária Célia Bicalho e o administrador Alexandre Maia, pais de Maria Clara, 12, este período representa a retomada de um desafio que exige muita dedicação por parte da família.
Maria Clara tem dislexia, um distúrbio que leva a dificuldades com a leitura e a escrita. Assim como ela, milhões de crianças em todo mundo sofrem de algum tipo de distúrbio de aprendizagem e identificar o problema, assim como tratar e lidar com ele da forma mais positiva e produtiva para a criança, é o grande desafio de pais, alunos e professores.
Pesquisas realizadas pela doutora em Neurologia Infantil da Unicamp, Sylvia Maria Ciasca, estimam que os transtornos associados ao desenvolvimento da aprendizagem acometem de 3% a 5% da população mundial. Outros distúrbios de aprendizagem podem surgir como decorrência da dislexia ou como transtornos independentes. Entre eles estão a discalculia (dificuldade com os números e a matemática), a disgrafia (dificuldade na escrita), a disortografia (dificuldade na linguagem) e o Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Originados de alterações neurológicas, eles complicam a socialização e o aprendizado. Estudantes como Maria Clara enfrentam obstáculos reais que dificultam a aquisição das habilidades requeridas na escola e que respingam no convívio social. Além de buscar tratamentos que levem à superação desta criança, o objetivo maior é evitar também que ela seja estigmatizada.
Sinais de Alerta na pré-escola
Dispersão
Fraco desenvolvimento da atenção
Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem
Dificuldade em aprender rimas e canções
Fraco desenvolvimento da coordenação motora
Dificuldade com quebra cabeça
Falta de interesse por livros impressos
Dicas para o professorNão force o aluno a fazer lições quando estiver nervoso
Explique a ele suas dificuldades e diga que vai ajudá-lo
Proponha jogos na sala
Procure usar situações concretas nos problemas
Não corriga o aluno frequentemente diante da turma, para não o expor
Maria Clara tem dislexia, um distúrbio que leva a dificuldades com a leitura e a escrita. Assim como ela, milhões de crianças em todo mundo sofrem de algum tipo de distúrbio de aprendizagem e identificar o problema, assim como tratar e lidar com ele da forma mais positiva e produtiva para a criança, é o grande desafio de pais, alunos e professores.
Pesquisas realizadas pela doutora em Neurologia Infantil da Unicamp, Sylvia Maria Ciasca, estimam que os transtornos associados ao desenvolvimento da aprendizagem acometem de 3% a 5% da população mundial. Outros distúrbios de aprendizagem podem surgir como decorrência da dislexia ou como transtornos independentes. Entre eles estão a discalculia (dificuldade com os números e a matemática), a disgrafia (dificuldade na escrita), a disortografia (dificuldade na linguagem) e o Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Originados de alterações neurológicas, eles complicam a socialização e o aprendizado. Estudantes como Maria Clara enfrentam obstáculos reais que dificultam a aquisição das habilidades requeridas na escola e que respingam no convívio social. Além de buscar tratamentos que levem à superação desta criança, o objetivo maior é evitar também que ela seja estigmatizada.
Sinais de Alerta na pré-escola
Dispersão
Fraco desenvolvimento da atenção
Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem
Dificuldade em aprender rimas e canções
Fraco desenvolvimento da coordenação motora
Dificuldade com quebra cabeça
Falta de interesse por livros impressos
Dicas para o professorNão force o aluno a fazer lições quando estiver nervoso
Explique a ele suas dificuldades e diga que vai ajudá-lo
Proponha jogos na sala
Procure usar situações concretas nos problemas
Não corriga o aluno frequentemente diante da turma, para não o expor
Nem preguiçosa nem desatenta
Foi aos 8 anos que Maria Clara, depois de assistir a um filme sobre dislexia em sala de aula, passou a entender porque era diferente e, não, mais preguiçosa ou desatenta que os colegas de classe. Hoje, aos 12 anos, ela sabe que suas dificuldades podem ser superadas e sua autoestima está em alta para enfrentar novidades: além de estrear na 5ª série do ensino fundamental, começa a estudar em uma nova escola.
Os problemas de aprendizado de Maria Clara apareceram ao longo do seu ciclo de alfabetização e as dificuldades iniciais em organizar as letras e montar palavras foram aumentando. Nessa época, sua mãe, a empresária Célia Bicalho, acreditava que a filha era muito desatenta. Até que foi alertada pela escola de que algo não ia bem.
Durante sua vida escolar, situações constrangedoras e reprovações se acumularam. Na sala de aula, a estudante apresentava dificuldades em reunir corretamente as sílabas, formar palavras e construir frases. Assim, passou a ser excluída pelos professores das atividades de leitura em voz alta e, por não conseguir escrever, deixou de participar dos ditados.
Cristiane Bargas, psicopedagoga e professora da menina na época, conta que, a partir do filme assistido em sala, os colegas e a própria estudante passaram a aceitar as limitações e buscar estratégias para superar os obstáculos. "A solidariedade dos colegas, que passaram a ajudar na leitura e em outras tarefas, foi fundamental para a melhora na autoestima da Maria Clara". A menina passou também a fazer acompanhamento com psicólogo e neurologista.
Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, não há nenhuma linha de tratamento que seja considerada "melhor" ou "única". Mas eles defendem uma terapia enfatizada com o método Fônico e aconselham também treinar a memória imediata e a percepção visual e auditiva. Sugerem ainda que se adote o método multissensorial, cumulativo e sistemático. Ou seja, deve-se utilizar ao máximo todos os sentidos. Um exemplo básico é poder ler e ouvir enquanto se escreve. O disléxico assimila bem tudo que é vivenciado concretamente.
Os problemas de aprendizado de Maria Clara apareceram ao longo do seu ciclo de alfabetização e as dificuldades iniciais em organizar as letras e montar palavras foram aumentando. Nessa época, sua mãe, a empresária Célia Bicalho, acreditava que a filha era muito desatenta. Até que foi alertada pela escola de que algo não ia bem.
Durante sua vida escolar, situações constrangedoras e reprovações se acumularam. Na sala de aula, a estudante apresentava dificuldades em reunir corretamente as sílabas, formar palavras e construir frases. Assim, passou a ser excluída pelos professores das atividades de leitura em voz alta e, por não conseguir escrever, deixou de participar dos ditados.
Cristiane Bargas, psicopedagoga e professora da menina na época, conta que, a partir do filme assistido em sala, os colegas e a própria estudante passaram a aceitar as limitações e buscar estratégias para superar os obstáculos. "A solidariedade dos colegas, que passaram a ajudar na leitura e em outras tarefas, foi fundamental para a melhora na autoestima da Maria Clara". A menina passou também a fazer acompanhamento com psicólogo e neurologista.
Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, não há nenhuma linha de tratamento que seja considerada "melhor" ou "única". Mas eles defendem uma terapia enfatizada com o método Fônico e aconselham também treinar a memória imediata e a percepção visual e auditiva. Sugerem ainda que se adote o método multissensorial, cumulativo e sistemático. Ou seja, deve-se utilizar ao máximo todos os sentidos. Um exemplo básico é poder ler e ouvir enquanto se escreve. O disléxico assimila bem tudo que é vivenciado concretamente.
Diagnóstico, só do especialista
Os transtornos de aprendizagem são ainda pouco conhecidos e, muitas vezes, confundidos com alguma doença. Parte do problema, na opinião do psiquiatra José Belisário, coordenador do Ambulatório de Déficit de Atenção da UFMG e doutor em Educação e Saúde, se deve às limitações e à falta de informação e despreparo de muitas escolas em possibilitar o desenvolvimento das habilidades dos alunos considerados "diferentes" ou "problema".
Quando suas dificuldades são encaradas de forma equivocada, crianças com distúrbios que interferem na aprendizagem tornam-se problemáticas em todas as disciplinas escolares e frequentemente são tachadas de "burras", "ignorantes" e "indolentes" com um impacto nefasto sobre sua autoestima.
Assim, muitos podem atingir a idade adulta sem compreender que a causa do seu sofrimento está associada a uma alteração que pode ser superada. "É na infância que se começa a interiorizar que não se tem direito a sonhar como as outras e a criança acaba optando por percursos que não a levarão a tentar desafios na vida adulta", diz.
Profissional
Por isso, um diagnóstico eficaz e feito o mais cedo possível é importante. Uma determinação adequada pode ser feita por um psicoterapeuta ou um psicopedagogo. Em seguida, ele deverá encaminhar a criança aos médicos competentes para cada caso, de acordo com a condição identificada.
No caso de problemas de linguagem, a criança deve ser tratada por fonoaudiólogos e professores especializados. Caso a condição tenha afetado também a autoestima e a personalidade, é necessário o acompanhamento psicológico.
Independentemente do caso, é importante que a criança continue a assistir e a participar das atividades escolares normais.
Quando suas dificuldades são encaradas de forma equivocada, crianças com distúrbios que interferem na aprendizagem tornam-se problemáticas em todas as disciplinas escolares e frequentemente são tachadas de "burras", "ignorantes" e "indolentes" com um impacto nefasto sobre sua autoestima.
Assim, muitos podem atingir a idade adulta sem compreender que a causa do seu sofrimento está associada a uma alteração que pode ser superada. "É na infância que se começa a interiorizar que não se tem direito a sonhar como as outras e a criança acaba optando por percursos que não a levarão a tentar desafios na vida adulta", diz.
Profissional
Por isso, um diagnóstico eficaz e feito o mais cedo possível é importante. Uma determinação adequada pode ser feita por um psicoterapeuta ou um psicopedagogo. Em seguida, ele deverá encaminhar a criança aos médicos competentes para cada caso, de acordo com a condição identificada.
No caso de problemas de linguagem, a criança deve ser tratada por fonoaudiólogos e professores especializados. Caso a condição tenha afetado também a autoestima e a personalidade, é necessário o acompanhamento psicológico.
Independentemente do caso, é importante que a criança continue a assistir e a participar das atividades escolares normais.

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