| Taxista de BH é a cara do cantor Reginaldo Rossi Profissional chama atenção pela semelhança física com o cantor Reginaldo Rossi e divide o tempo entre o volante e as performances em que interpreta o ídolo com voz surpreendente Brasil Not Publicação: 25/03/2012 07:11Atualização: 25/03/2012 07:06
Até o mais desatento passageiro percebe a pinta de artista de Carlos Roberto Pereira, de 57 anos, condutor do táxi de placa HIX 1131, de Belo Horizonte. “Para onde vamos, amigo?” Ao ouvir a voz limpa e marcante do moço, então, é impossível não notar que se trata de profissional incomum na praça. Óculos e cabelos acaju, inconfundíveis, o sujeito romântico é imagem e semelhança do cantor Reginaldo Rossi, de 68, o “rei do brega”. Mais novo, não menos talentoso em cena, Carlos Rossi – como é conhecido – é uma figuraça. Alegre, pura simpatia, de autoestima contagiante, o motorista e dublê de cantor não perde a oportunidade de esbanjar vocação e fazer amizades. “Quando puder, apareça lá em casa, para você conhecer minha família”, convidou. Aceitamos. A equipe do Estado de Minas foi até a Região Noroeste saber melhor como vive o “clone” do astro pernambucano. No sobrado de bom trato, decorado em pedras, na Rua Professora Maria Coutinho, Bairro Alto dos Pinheiros, Carlos Rossi e a mulher, Rosângela Maria Cardoso Pereira, se preparam para inaugurar o Bar Fino Gosto. Trabalham na decoração do espaço e no preparo do cardápio, “que vai dar o que falar na cidade”, como prometem. “Ela é uma cozinheira de mão cheia”, elogia Carlos, referindo-se à parceira de mais de 30 anos, com quem tem três filhos – uma moça e dois rapazes. Na casa, tudo remete à música. No salão do terceiro andar são dezenas de discos de vinil que, dependurados no teto, dão charme à decoração. “Aqui a festa ferve”, diz, sorrindo, enquanto aponta o equipamento de som em um canto. “Hoje mesmo, daqui a pouco, vai ter uma festa que estamos preparando para uma amiga da minha filha que veio da Holanda.” Carlos exibe o imóvel com o orgulho de quem o construiu no início dos anos 1990. Há 35 anos no batidão do volante, das 8h às 18h, o taxista fala da luta pela boa educação dos cinco filhos – dois do primeiro casamento, “quando era adolescente”. E a música, Carlos? “É uma longa história.” Performance confirma talento O resultado desse caso de amor pode ser conferido em minutos, quando a sala de visitas do segundo andar se transforma. É hora da canja de Carlos Rossi, “o clone”, especialmente para o EM. O pequeno aparelho de som sobre a banqueta dá o acompanhamento de banda profissional. A voz, ao vivo, impressiona: tem muito de Paulo Sérgio, Roberto Carlos e, claro, do ídolo Reginaldo Rossi. De primeira, manda ver: “Garçom! Aqui!/ Nessa mesa de bar/ Você já cansou de escutar/ Centenas de casos de amor...”, sucesso em todo o Brasil. Não bastasse o timbre idêntico, há ainda a performance, com o balanço dos braços inconfundível e a ginga desinibida, de chamar a atenção. O artista, cover, dá show para a pequena plateia. Empolgado, Carlos canta Mon amour, meu bem, ma femme e, cheio de satisfação, emenda Entre tapas e beijos, como se estivesse diante da multidão. E como começou essa história , Carlos? “Foi logo quando nasci, em Governador Valadares. Vim com meses para Belo Horizonte, sem saber quem eram meus pais. Em pouco tempo, quando me dei conta, estava morando na zona boêmia, entre as ruas Bonfim e Paquequer”, conta. Emocionado, Carlos Rossi segue a revolver o passado: “Um dia, eu devia ter uns 5 anos, vi um homem discutindo com alguém na casa em que morava e fui levado por ele. Foi quando descobri que era meu pai. Ele me levou sem a autorização dos meus avós, pais da minha mãe. Pouco tempo depois, fui devolvido para uma mulher, que descobri, essa sim, ser minha mãe. E com ela e o marido vivi até a adolescência, sempre gostando muito de cantar. Mas não era feliz. Meu padrasto não gostava de mim.” As aventuras de Carlos, que dariam roteiro de bom melodrama, reservam espaço até para tentativas de fuga de casa, na adolescência. Por fim, segundo ele, para ficar livre do padrasto, aos 18 anos resolveu se casar e ter a própria família. Livre dos traumas da infância, a música veio para ficar na vida do jovem Carlos Roberto. Foi para as emissoras de TV e rádio tentar a sorte em programas de calouros, venceu alguns e foi “gongado” em outros, até que, por meio de um amigo muito querido, nos anos 1990, conheceu as canções de Reginaldo Rossi. Elas mudariam para sempre a sua vida. Cara a cara com o ídolo
Foi o próprio Reginaldo Rossi quem “batizou” Carlos Roberto como Carlos Rossi. “Foi num show, depois que eu cantei com ele no palco. Ele disse: ‘De hoje em diante, você vai se chamar Carlos Rossi, o mineiro, meu clone’. Ele é um artista completo, bonito, inteligente e muito generoso também. Ajudou-me muito”, conta. O primeiro contato dos dois foi num show no final dos anos 1990, na Serraria Souza Pinto, no Centro de BH, quando os seguranças perceberam o maior alvoroço na plateia. O desconhecido Carlos Roberto, taxista, estava lá para ver o ídolo e acabou tendo que fazer pose para muitas fotos com os fãs de Reginaldo, que ainda estava no camarim. O alvoroço chegou ao conhecimento do artista famoso, de passagem pela capital. Rossi, o original
Tem clone na praça: Carlos Roberto Ferreira, ou simplesmente Carlos Rossi, já subiu ao palco com o artista |
Até o mais desatento passageiro percebe a pinta de artista de Carlos Roberto Pereira, de 57 anos, condutor do táxi de placa HIX 1131, de Belo Horizonte. “Para onde vamos, amigo?” Ao ouvir a voz limpa e marcante do moço, então, é impossível não notar que se trata de profissional incomum na praça. Óculos e cabelos acaju, inconfundíveis, o sujeito romântico é imagem e semelhança do cantor Reginaldo Rossi, de 68, o “rei do brega”. Mais novo, não menos talentoso em cena, Carlos Rossi – como é conhecido – é uma figuraça. Alegre, pura simpatia, de autoestima contagiante, o motorista e dublê de cantor não perde a oportunidade de esbanjar vocação e fazer amizades.
“Quando puder, apareça lá em casa, para você conhecer minha família”, convidou. Aceitamos. A equipe do Estado de Minas foi até a Região Noroeste saber melhor como vive o “clone” do astro pernambucano. No sobrado de bom trato, decorado em pedras, na Rua Professora Maria Coutinho, Bairro Alto dos Pinheiros, Carlos Rossi e a mulher, Rosângela Maria Cardoso Pereira, se preparam para inaugurar o Bar Fino Gosto. Trabalham na decoração do espaço e no preparo do cardápio, “que vai dar o que falar na cidade”, como prometem. “Ela é uma cozinheira de mão cheia”, elogia Carlos, referindo-se à parceira de mais de 30 anos, com quem tem três filhos – uma moça e dois rapazes.
Na casa, tudo remete à música. No salão do terceiro andar são dezenas de discos de vinil que, dependurados no teto, dão charme à decoração. “Aqui a festa ferve”, diz, sorrindo, enquanto aponta o equipamento de som em um canto. “Hoje mesmo, daqui a pouco, vai ter uma festa que estamos preparando para uma amiga da minha filha que veio da Holanda.” Carlos exibe o imóvel com o orgulho de quem o construiu no início dos anos 1990. Há 35 anos no batidão do volante, das 8h às 18h, o taxista fala da luta pela boa educação dos cinco filhos – dois do primeiro casamento, “quando era adolescente”. E a música, Carlos? “É uma longa história.”
Performance confirma talento
O resultado desse caso de amor pode ser conferido em minutos, quando a sala de visitas do segundo andar se transforma. É hora da canja de Carlos Rossi, “o clone”, especialmente para o EM. O pequeno aparelho de som sobre a banqueta dá o acompanhamento de banda profissional. A voz, ao vivo, impressiona: tem muito de Paulo Sérgio, Roberto Carlos e, claro, do ídolo Reginaldo Rossi. De primeira, manda ver: “Garçom! Aqui!/ Nessa mesa de bar/ Você já cansou de escutar/ Centenas de casos de amor...”, sucesso em todo o Brasil.
Não bastasse o timbre idêntico, há ainda a performance, com o balanço dos braços inconfundível e a ginga desinibida, de chamar a atenção. O artista, cover, dá show para a pequena plateia. Empolgado, Carlos canta Mon amour, meu bem, ma femme e, cheio de satisfação, emenda Entre tapas e beijos, como se estivesse diante da multidão. E como começou essa história , Carlos? “Foi logo quando nasci, em Governador Valadares. Vim com meses para Belo Horizonte, sem saber quem eram meus pais. Em pouco tempo, quando me dei conta, estava morando na zona boêmia, entre as ruas Bonfim e Paquequer”, conta.
Emocionado, Carlos Rossi segue a revolver o passado: “Um dia, eu devia ter uns 5 anos, vi um homem discutindo com alguém na casa em que morava e fui levado por ele. Foi quando descobri que era meu pai. Ele me levou sem a autorização dos meus avós, pais da minha mãe. Pouco tempo depois, fui devolvido para uma mulher, que descobri, essa sim, ser minha mãe. E com ela e o marido vivi até a adolescência, sempre gostando muito de cantar. Mas não era feliz. Meu padrasto não gostava de mim.” As aventuras de Carlos, que dariam roteiro de bom melodrama, reservam espaço até para tentativas de fuga de casa, na adolescência. Por fim, segundo ele, para ficar livre do padrasto, aos 18 anos resolveu se casar e ter a própria família. Livre dos traumas da infância, a música veio para ficar na vida do jovem Carlos Roberto. Foi para as emissoras de TV e rádio tentar a sorte em programas de calouros, venceu alguns e foi “gongado” em outros, até que, por meio de um amigo muito querido, nos anos 1990, conheceu as canções de Reginaldo Rossi. Elas mudariam para sempre a sua vida.
Cara a cara com o ídolo
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| Nas ruas da capital, o motorista esbanja simpatia e aproveita para divulgar sua arte junto aos passageiros |
Foi o próprio Reginaldo Rossi quem “batizou” Carlos Roberto como Carlos Rossi. “Foi num show, depois que eu cantei com ele no palco. Ele disse: ‘De hoje em diante, você vai se chamar Carlos Rossi, o mineiro, meu clone’. Ele é um artista completo, bonito, inteligente e muito generoso também. Ajudou-me muito”, conta. O primeiro contato dos dois foi num show no final dos anos 1990, na Serraria Souza Pinto, no Centro de BH, quando os seguranças perceberam o maior alvoroço na plateia. O desconhecido Carlos Roberto, taxista, estava lá para ver o ídolo e acabou tendo que fazer pose para muitas fotos com os fãs de Reginaldo, que ainda estava no camarim. O alvoroço chegou ao conhecimento do artista famoso, de passagem pela capital.
Rossi, o original
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| Foi o próprio artista que batizou o taxista mineiro de Carlos Rossi |



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